sábado, 4 de junho de 2011

Será o fim da apertadinha no botão?

por Dhio Adhelino

Nos últimos anos, cada vez que passávamos nas ruas, nos bares, nos supermercados, ouvíamos panelinhas de pessoas falando:
- Será que a Flora vai presa?
- A Nazaré tem que ser internada num sanatório!
Algumas análises feita pelos espectadores encima das tramas “pós Jornal Nacional”, na qual já não sei se falo que é das 8h, das 9h ou das 10h. Lembrando que mudanças de horário fazem com que o espectador se desligue da programação, Serginho Groisman sabe bem disso na época de SBT. 
Mas voltando as análises populares, estava eu estes dias em um supermercado quando de repente me chega uma senhora e me questionou:
- Você já viu a novela do Jesuíno e da Açucena? É bem na hora do meu café, eu reúno as minhas amigas para assistir, depois vamos jogar baralho.
Fiquei sem dizer nada, e perplexo,  ao ver que estava acontecendo na tv brasileira uma revolução!
As análises de audiência são baseadas na hora em que as pessoas chegam dos seus empregos, tomam seu banho, tomam café e depois ligam a tv. Isso está errado! As pessoas não vivem mais nos anos 70, onde a família toda se reunia para ver tv, os mais jovem estão nos computadores e não querem saber de tv, até que algo lhes chame a atenção, e se o computador está trazendo interativamente, então dê interatividade para elas. A tv não está perdendo para a internet, ela só está menos interessante do que a internet.
Aquela senhora falando comigo no supermercado,  me fez abrir os olhos para um detalhe. As pessoas continuam sendo as mesmas, a tv foi quem mudou. Há quanto tempo não tínhamos na telinha tramas do tipo de “Cordel Encantado”, com fábulas que fazem todos sonharem após um dia árduo de trabalho. Os espectadores não querem ver “a mãe que chora o filho que foi baleado”, ou “o malvado que explora a todos e depois se sai bem e m tudo” ou “ a amiga que ama o namorado da outra amiga”, e que fica este rolo, que nem o autor mais sabe onde está. Isso elas já passam no dia-a-dia, elas querem chegar em casa e ver romances, uma época remota, algo que não lembre seu dia-a-dia. Entre os espectadores também temos os que gostam de se sentir na trama, todavia para ver realidade é só ligar a tv no horário dos jornais, qualquer um mostra o que algumas tramas atuais mostram.
Falando um pouco de Cordel Encantado de Duca Rachid e Thelma Guedes, vejo que a fábula tomou conta dos lares brasileiros, pois até hoje ninguém ousou trabalhar em cima da fábula tão profundamente, exceto a minissérie “Hoje é dia de Maria” em 2005. Duca e Thelma encontraram a receita nas novelas, que vai desde o pequeno detalhe no figurino, até filmagem em 24 fps, na qual defendo aplicar em todas as novelas, é mais agradável a nossos olhos.
A direção de fotografia de Fred Rangel está perfeita, com externas em alta qualidade e foco nas cenas principais. Há quanto tempo não víamos uma obra nesse padrão! 
A direção de Amora Mautner e Ricardo Waddington está surpreendente, o afinamento dos atores e a “catarse”, estado em que o ator revive sensações através do personagem, na qual é muito difícil na tv, estão de primeira linha. Atores, na qual sua interpretação nunca me chamou atenção, dessa vez me fizeram rir, chorar, entrar na trama. Ao contrário do que muitos pensam, o trabalho de um bom diretor para o afinamento dos atores é altamente recomendável, caso contrário, uma bela trama pode se tornar um sonífero potente ou uma apertadinha no botão do controle remoto.

O cruzamento da trama Europa Medieval – Sertão Nordestino nos faz refletir sobre as fábulas que estes dois povos tem em comum com a soberania de alguns e a aceitação de outros. Parabéns a Duca e Thelma, parabéns a Amora e Ricardo, atrair os olhos do  espectador novamente para a telinha é garantir que os sonhos não sejam destruídos. 
Um trabalho de pesquisa perfeita onde faz parte do cotidiano de quem faz teatro, este é rumo certo de conduzir o todo de um trabalho interpretativo, dramatúrgico e visual.


Abaixo vimos o trabalho em cordel na abertura da novela Cordel Encantado na voz de Gilberto Gil, na qual lembra muito a abertura da versão que não foi ao ar de Roque Santeiro em 1975 na voz de Djavan.




terça-feira, 24 de maio de 2011

Por onde anda... Fátima Diniz?

por Dhio Adhelino

Dando sequência a série "Por onde andam", na qual estou fazendo as postagens conforme os amigos masterclassistas me enviam seus materiais, vamos saber um pouco mais sobre Fátima Diniz, na qual trabalhamos juntos no desenvolvimento de roteiro e posso afirmar que Fátima tem uma grande carreira pela frente. Vamos ver por onde ela anda?

Bem Queridos,
A Master Class II, se tornou um divisor de águas na minha vida. Como vocês sabem, fui convidada para colaborar em Lara com Z, junto com as companheiras de Master, Simone Mousse e Tati Contreiras, além de Daniel Berlinsk e Ricardo Hautequestt, da Master I. A experiência foi incrível! Tivemos a oportunidade de aprender trabalhando e ver o fruto de tudo isso ganhar vida na tela. A cada episódio, uma emoção diferente me invade!  “Genteee, eles estão falando o que eu escrevi!!! 
Desde a Master já fiz dois cursos de Roteiro e agora comecei outro voltado para adaptação de textos literários para TV e cinema. Conheci muitos apaixonados por essa arte e montamos um grupo que desenvolve projetos inovadores na área.
Bem, de futuro, ainda não sei. Continuo sendo mãe coruja de Yvilla, Maju e Ycaro, esposa, dublê de dona de casa e acreditando que o sonho pode virar realidade a qualquer momento. Claro, que um catalisador de peso é importante para acelerar a reação e é por isso que, sem excessos, digo e repito:  Aguinaldo Silva é um cara fantástico!  E nós todos da Master, tivemos a oportunidade de aprender com ele!  Então, não podemos desistir! Escrever é uma dádiva!
Abraços apertados de muita saudade!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Enfim quebraram o tabu

por Dhio Adhelino



Enfim  tivemos o primeiro beijo gay da telinha, protagonizado por Luciana Vendramini e Giselle Tigre na novela “Amor e Revolução” escrita por Tiago Santiago no SBT. Ao longo dos anos foram tantos os boatos. Anos e anos de espera, por causa de puro preconceito envolvidos em situações publicitárias infundadas, que era retrada por emissoras de televisão que tinham medo de perder as velhas senhoras que sentavam no sofá para assistirem a novela e enriquecer o IBOPE. Mas a situação é outra, apesar de Silvio Santos ser conhecido como quem bate o martelo no SBT e defensor dos programas de auditório dos ano 80, não teve medo de ousar. 
No século XXI, o rumo da televisão mudou, os telespectadores mudaram, e aquelas velhas senhoras que ficavam na frente daquela tv de tubo também já estão em extinção. A internet está aí, a audiência da tv é cada dia mais derrotada pela internet, e com tudo isso o que deve estar em pauta para os analistas de programação televisiva? O ousar, o tentar, o criar, o novo, afinal, de acordo com as leis universais “quem dá o primeiro golpe vence a luta”. 
Quantos e quantos anos estão falando em jornais e revistas... Agora sai o beijo gay! Quando divulgaram na mídia que iria sair o beijo, assim como eu, muita gente não acreditou. É que o assunto já estava tão batido, que já estava maçante. 
Mas sempre quando se é tentado algo de novo na teledramaturgia, há muita polêmica em cima do assunto, assim foi o primeiro beijo (hetero) da tv em “Sua vida me pertence”.
A novela “Xica da Silva” da extinta Rede Manchete, que teve a primeira protagonista negra da história da tv, e que foi um fenômeno na teledramaturgia brasileira, com elenco, roteiro e figurinos perfeitos. Quando falo em Xica da Silva me lembro do prazer em assistir uma interpretação rica e preparada, bem como uma composição cênica de primeira, a maquiagem não era cheia de exageros como as de hoje em dia, e ainda lembro como a novela que ficou para a história por quebrar preconceitos.
Após ver mais um tabu quebrado na televisão brasileira, que fala tanto em liberdade de expressão, só tenho mais é que parabenizar o escritor Tiago Santiago e sua equipe, bem como o SBT por ter dado este passo tão importante para a teledramaturgia brasileira, na qual espero que seja seguida por muita gente.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Por onde anda... Eduardo Stumpf?

Vamos para mais um masterclassista. Por onde anda?

Eu que, como jornalista, tendo passado por TV, jornal e internet, ainda não sabia exatamente o que era trabalhar com aquilo que realmente se ama fazer. Isso foi antes da Master. Aguinaldo me fez ter a mais das certezas absolutas de que o que quero para mim, daqui para frente, é roteirizar.
Hoje, continuo a trabalhar na área de missão diplomática, mas com intensa dedicação para área de roteiros. Procuro me aprofundar no tema, sempre me atualizando com cursos, livros, etc. Paralelamente, desenvolvo alguns projetos pessoais, colocando em prática todo o conhecimento absorvido nas aulas. Uma possível tese de mestrado pode surgir a partir daí.
De quebra, ainda depois da Master, ganhei um dilema: continuar a trabalhar apenas para ganhar o salário no final do mês ou largar tudo, fazer um curso no exterior, me dedicar em uma sinopse ainda em desenvolvimento e batalhar por uma vaga nesse mercado de trabalho? Dúvida arriscada e cruel... Hoje, vivo um dilema: continuar a trabalhar na área de missão diplomática ou largar tudo. Hoje, continuo trabalhando na área de missão diplomática, mas com muita sede de voltar a criar. 

Continue acompanhando o blog da Master Class 2, vem mais "Por onde andam" e mais séries.

sábado, 7 de maio de 2011

As mamães na telinha... Dona Nenê

por Dhio Adhelino


Estava dando enfoque as novelas brasileiras, porém não podia deixar de citar aqui uma personagem que mostra a dedicação diária da mãe brasileira. Falaremos agora de Dona Nenê, do seriado “A Grande Família” de Oduvaldo Vianna Filho e Armando Costa, que é uma reinterpretação contemporânea do seriado exibido entre 1972 e 1975 também pela Rede Globo. Apesar de pessoalmente eu não apreciar o seriado, vejo em Dona Nenê a relidade de muitas mães brasileiras, dedicadas ao marido e aos filhos. Zelando sempre pelo lar, administrando a casa e sempre disposta a dar conselhos a seus filhos. Na postagem inicial desta série, fiz um comentário sobre o dia das mães, e falei sobre a família reunida, a maionese de domingo, olhar os albuns antigos de fotos, etc. Estas mães que preparam tudo para a chegada dos filhos no domingo se igualam a Dona Nenê. Nos último episódios a personagem deixou de se dedicar tanto ao lar e está envolvida com a política do bairro, depois de ser eleita a presidente da Associação do bairro (é claro que este percurso do seriado foi influenciado pela eleição da Presidente da República Dilma Roussef, que também é mãe), mesmo assim Dona Nenê acaba dividindo as tarefas do lar com o seu mandato na presidencia da associação. Mais uma mães da telinha que entra na casa de muitos brasileiros.